Tecnologia é, antes de tudo, sobre pessoas.
Pode parecer óbvio — mas quando você está no meio de um incidente de produção às 2 da manhã, acompanhando métricas no Grafana e tentando entender por que o cluster Kubernetes decidiu que aquele era o momento perfeito para escalar de forma errada, é fácil esquecer esse detalhe.
O que me trouxe para essa área não foi a fascinação por servidores ou pipelines. Foi a percepção de que a tecnologia bem implementada resolve problemas reais de pessoas reais — e que a ponte entre “o sistema funciona” e “o negócio cresce” é quase sempre construída por alguém que sabe se comunicar em ambas as línguas.
O que eu chamo de conexão
Quando falo em “conexões em tecnologia”, não estou falando só de redes ou integrações de sistemas.
Estou falando de:
- Conectar times de engenharia e negócio — traduzir latência de P99 em impacto de receita, ou explicar por que uma refatoração de três semanas vai economizar seis meses de manutenção
- Conectar conhecimento e prática — workshops onde a teoria vira algo que você consegue aplicar na segunda-feira de manhã
- Conectar pessoas entre si — criar ambientes onde sêniors e juniors trocam de verdade, sem a hierarquia silenciosa que mata o aprendizado
O que aprendi no dia a dia com DevOps e SRE
Depois de anos trabalhando com infraestrutura, Kubernetes, Terraform e automação de pipelines, o que ficou não foram as configurações de YAML — foram os padrões de como times funcionam (ou não funcionam) quando a pressão aparece.
Algumas lições práticas:
Observabilidade é sobre perguntas, não sobre dashboards
Você pode ter 400 painéis no Grafana e ainda assim não saber o que está acontecendo. A pergunta certa é: quando algo der errado, quais perguntas eu preciso responder em menos de 5 minutos? Monte sua observabilidade a partir daí.
Automação libera tempo para o que importa
Um pipeline de CI/CD bem construído não é luxo — é o que separa o time que passa a semana fazendo deploy manual do time que está pensando em arquitetura e melhorias. Automatize o repetitivo para sobrar espaço para o estratégico.
Documentação é uma forma de cuidado
Escrever um runbook claro, um ADR bem estruturado ou um README que realmente explica o projeto é um ato de respeito com quem vai manter aquilo depois de você. Inclusive você mesmo, daqui a seis meses.
Por que escrevo aqui
Esse espaço é onde vou compartilhar o que aprendo — sobre infraestrutura, sobre gestão de times técnicos, sobre como explicar coisas complexas de forma clara.
Não vou fingir que tenho todas as respostas. Mas acredito que compartilhar o processo — incluindo os erros — é mais útil do que só mostrar os resultados polidos.
Se você chegou até aqui, obrigado pela leitura. Fique à vontade para entrar em contato — as melhores ideias surgem em conversa.
João Cordeiro é especialista em DevOps e SRE, apaixonado por criar conexões entre pessoas e tecnologia.